Entenda o Refluxo Gastroesofágico e Seus Sintomas e Tratamento.

Entenda o Refluxo Gastroesofágico e Seus Sintomas e Tratamento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia (SBMDN), chega a 20% o número de brasileiros que sofrem com refluxo, e o número pode ser ainda maior, já que muitos não são diagnosticados corretamente por falta de atenção aos sintomas.

O que é?

Quando comemos algo, o alimento passa pelo esôfago, chegando ao estômago pela válvula chamada de esfíncter esofágico inferior, que se fecha em seguida para evitar o retorno da comida e ácidos produzidos no estômago (suco gástrico). O suco gástrico inicia a digestão alimentar antes de enviar o bolo alimentar para o intestino.

O Refluxo Gastroesofágico (DRGE), ocorre quando parte desse conteúdo gástrico, que é ácido, retorna ao esôfago, que diferente do estômago não possui proteção em sua mucosa para isso, iniciando sua queimação e irritação.

Como Ocorre?

Existem três situações que abrem o caminho para o conteúdo gástrico até o esôfago:

  • O enfraquecimento do esfíncter esofágico: a mais frequente, não tem uma causa clara, mas faz com que a barreira esôfago gástrica não funcione corretamente, deixando a passagem até o esôfago aberta.
  • Aumento da pressão intra-abdominal do gradiente esôfago gástrico: Assim como o enfraquecimento do esfíncter, o aumento da pressão no abdômen facilita o refluxo, criando uma maior diferença entre a pressão dentro do abdômen, onde fica o estômago, e o tórax, onde fica maior parte do esôfago. Esta diferença de pressão facilita o refluxo, principalmente quando o esfíncter está enfraquecido ou deslocado para o tórax, como acontece na hérnia de hiato.
  • A hérnia de hiato: O deslocamento do estômago para o tórax, através do hiato esofageano do diafragma, caracteriza a hérnia, e desloca o esfíncter esofageano para o tórax, que por ser um ambiente de baixa pressão, facilita a ocorrência do refluxo.

Existem diversos fatores de risco que aumentam as chances do refluxo.

Quais os principais fatores de risco?

  • Obesidade e sobrepeso
  • Dieta gordurosa
  • Refeição pesada antes de se deitar
  • Tabagismo e Alcoolismo
  • Consumo de bebidas gasosas e cafeinadas
  • Sedentarismo
  • Ingestão rápida de alimentos

Como identificar? Sintomas e Diagnóstico

O primeiro passo é estar atento aos sintomas que costumam ser agrupados em típicos e atípicos:

Típicos:

  • Azia e queimação estomacal
  • Regurgitação

Atípicos:

  • Rouquidão, pigarro e tosse
  • Dor no peito e abdominal

Ao notar os sinais, que costumam surgir principalmente após as refeições e ao deitar, deve-se relatar a um médico, que indicará exames necessários para diagnóstico conclusivo.

Como diferenciar refluxo, gastrite e úlcera?

Um dos principais motivos que dificultam o diagnóstico, é a associação incorreta dos sintomas com outras doenças, como a gastrite e úlcera. Apesar de todas gerarem dores e desconforto abdominal, possuem diferenças e principalmente, diferentes tratamentos.

Como vimos, o refluxo gera azia e sensação de queimação e desconforto que podem atingir a garganta e costuma surgir ou piorar ao deitar. Já a gastrite, costuma gerar falta de apetite, dores passageiras repetitivas, enjoos e vômitos. A úlcera gera os mesmos sintomas de forma intensificada, causando também perda de peso e, em casos graves, presença de sangue nos vômitos e fezes.

Em todos os casos, é preciso uma avaliação médica para diagnóstico preciso.

Como tratar?

Existem tratamentos medicamentosos e cirúrgicos, e tudo dependerá de cada quadro.

No primeiro caso, remédios antiácidos (bloqueadores de bomba de prótons) são usados para reduzir a produção dos ácidos gástricos, evitando que “transbordem” para o esôfago.

Já o tratamento cirúrgico é recomendado em casos onde a medicação não foi eficiente, ou de hérnia de hiato, para reparação. Na maioria das vezes, é possível ser realizada por laparoscopia ou cirurgia robótica, com anestesia geral e pequenas  incisões abdominais, e a recuperação costuma levar cerca de 15 dias.

Em ambos os casos, é recomendado a mudança nos hábitos alimentares e de prática física para resultado efetivo. A recomendação inclui redução do consumo de alimentos gordurosos, álcool, cafeína e alimentos ácidos, especialmente antes de se deitar.

Riscos:

O refluxo pode gerar a inflamação do esôfago, além de poder atingir a laringe e boca. A inflamação pode evoluir para úlcera, obstrução da passagem do esôfago (estenose) e até mesmo câncer de esôfago.

Ao apresentar sintomas, busque sempre avaliação médica.